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A República quer modernizar o Brasil

Retrato do prefeito Pereira Passos – ELISEU VISCONTI/WIKIMEDIA COMMONS/DOMÍNIO PÚBLICO

O Marechal Deodoro da Fonseca governou o País provisoriamente por dois anos, período no qual o Brasil ganhou sua primeira Constituição Republicana, que definia:

  • a separação entre os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário;
  • a extinção do Poder Moderador, o poder concentrado na mão do antigo imperador;
  • a eleição do presidente, chefe do Poder Executivo, pelo voto censitário, ou seja, o voto não era universal: não podiam votar os analfabetos e as mulheres;
  • a separação entre Igreja e Estado, que haviam estado juntos durante todo o Império.

Nos anos que se seguiram à Proclamação da República, assistiu-se a um espetáculo de transformações nas cidades do País: no início do século XX, a capital da República — o Rio de Janeiro — ganhava ruas largas, iluminação, transporte e saneamento públicos, com as reformas feitas pelo prefeito Pereira Passos.

A elite descobria, a partir de viagens à Europa, a vida dos teatros, das galerias de arte e dos passeios públicos nos calçadões. Foi nessa época que o Rio de Janeiro ganhou o apelido de Cidade Maravilhosa: os comerciantes ricos, os donos de indústrias, os membros de alta patente no exército e os políticos viviam uma belle époque, cheia de luxo, arte e bem estar não muito diferente do que havia experimentado a própria Monarquia em seu tempo no poder.

No entanto, as reformas urbanísticas, o transporte público e o saneamento se concentram nas áreas centrais e ricas da cidade. Parcelas expressivas da população eram excluídas, vivendo em cortiços e sofrendo com a febre amarela e peste bubônica.

É nesse início de século e de República que surgem as favelas. Com a política de reorganização urbana do prefeito Passos, operou-se o “Bota Abaixo”: ações de desmonte dos cortiços e derrubada de casas e comunidades inteiras. Vale lembrar que, com a Abolição da Escravidão, milhares de escravos que antes habitavam as casas de seu senhorio, viram-se livres e sem casa.

Por um lado, como vimos, os quilombos ofereciam refúgio desde as décadas anteriores à abolição. Por outro, muitas comunidades se formavam em ajuntamentos de casas precárias, com alta ocupação e nenhuma infraestrutura: eram justamente os cortiços, ocupados por negros libertos e trabalhadores urbanos pobres que não tinham condições de habitar os palacetes da elite carioca.

Com a “higienização” para poucos da cidade que se modernizava para dar espaço à ordem e ao progresso, comunidades inteiras de quilombolas, negros libertos e mestiços pobres subiram os morros da capital da República.

Este foi, também, o movimento de soldados pobres que, vindo do norte da Bahia após a Guerra de Canudos, acabaram por ocupar o Morro da Providência. Eram os soldados que a República enviara para combater os revoltosos de Canudos, assentamento monarquista, anti-republicano e de forte caráter religioso, situado entre morros no sertão baiano. Um desses morros chamava-se, justamente, Morro da Favela, por conta da vegetação típica da região. Voltando ao Rio de Janeiro, os soldados acharam por bem colocar o nome de favela ao lugar que acabaram ocupando. A partir daí, todas as ocupações pobres dos morros da capital passaram a ser chamadas de favelas.

Para saber mais: leia a crônica “Favela“, de Rachel de Queiroz